...

Às vezes eu acho que esses lugares não existem como nas historias infantis ou como uma miragem que só existe quando a gente esta lá, porque quando a gente vai embora esse lugar desaparece.







18.7.09

Companheiros

quero
escrever-me de homens
quero
calçar-me de terra
quero sera estrada marinha
que prossegue depois do último caminho
*
e quando ficar sem mim
não terei escrito
senão por vós
irmãos de um sonho
por vós
que não sereis derrotados
*
deixoa paciência dos rios
a idade dos livros
*
mas não levo
mapa nem bússola
porque andei sempre
sobre meus pé
se doeu-me
às vezes
viver
hei-de inventar
um verso que vos faça justiça
*
por ora
basta-me o arco-íris
*
em que vos sonho
basta-te saber que morreis demasiado
por viver de de menos
mas que permaneceis sem preço
*
companheiros
*
Mia Couto

23.6.09

Clarice: em cena na Casa Brasil


SABADO, 27 de Junho – 18h
CASA Brasil no Pe. Leo Commissari Centro de Formação Profissional “Padre Leo Commissari” Rua: Padre Leo Commissari 288 – JD Silvina – SBC
Tel: 4127 – 0866

GRATIS!

Cangote

Fiz minha casa no teu cangote
Não há neste mundo quem me bote
Pra sair daqui
Te pego sorrindo num pensamento
Faz graça de onde fiz meu achego, meu alento
E nem ligo
Como pode, no silêncio, tudo se explicar?!
Vagaroso, me espreguiço
E o que sinto, feito bocejo, vai pegar

9.6.09

Onde termina o apocalipse?

O chão não existe
Os pés pisam a vida

A vida revela

O sol se entrega, o ar se nega
Tudo pesa

A criação redundante

O povo esquecido
O mundo inutilmente garrido

Onde termina o apocalipse?





Rocha Farias

6.6.09

Rosa

Desenho: Olhar inesquecível Por: Rocha Farias.
Rosa.
Estávamos na quinta serie, Rosa sentava na cadeira que ficava na minha frente, lembro-me dos seus cabelos negros (de vez em quando uma trança mal feita). Era inteligente, escrevia cartinhas aos professores e possuía uma bondade incontrolada.

Tinha olhos grandes e profundos, perdidos nos dois buracos que formavam seu inesquecível olhar de menina triste. Simpática, ela me cumprimentava com sua voz assustada:

- Bom dia!

Rosa apesar de ser boa como uma mãe, tinha batalhões de inimigos, os meninos da sala jantavam-se para azucriná-la, arranjavam apelidos bizarros, humilhavam e até batiam nela de vez em quando. Ai vinha à incontrolada bondade de perdoar aqueles que sem motivo, apenas maldade, arrancavam suas pétalas.

Eu que sentava atrás da menina de olhos inesquecíveis, observava suas costas triste, inclinada sobre a mesa onde ela engolia o choro.

Perdoar um por ter matado outro é aceitável, mas aquele que destrói rosas, não! Esse ato é imperdoável.

Um dia resolvi que seria amigo de Rosa, não amigo que troca segredos e visita em casa, nem amigo que vive junto aventuras e descobrem juntos coisas, eu seria apenas uma espécie de progenitor, queria ensiná-la a não aceitar a vida que lhe deram, e guiá-la para viver a vida que ela esqueceu viver. E fui ser.

Nunca defendi Rosa dos meninos, nem nunca lhe dei conselhos de como se defender deles. Quando os meninos vinham para atacá-la eu observava tudo de longe, bem longe, e só depois eu me aproximava e dizia o quanto ela era especial no mundo, elogiava sua inteligência, comentava sobre os seus cabelos negros, e assim podia ver no canto da sua boca um sorriso espremido que ela segurava com a força dos lábios. No outro dia, via suas costas alegre, uma trança bem feita e uma menina feliz. Rosa não era mais atingida pelos meninos, porque as minhas palavras eram mais fortes do que as deles, com tempo até esqueceram ela.

Um dia em casa recebi uma carta e quando abri eram as palavras de Rosa, ela me agradeceu e escreveu tudo aquilo que sua boca jamais teria coragem de articular, ela escreveu em caneta vermelha: Eu te amo. Eu respondi a carta depois de uma semana... Mas essa é outra historia.

Rocha Farias.

19.5.09

Vazio...

Hoje senti necessidade de escrever, assim, escrever por escrever, sem querer chegar ao fim... Estou cansado, sentado na cama com as pernas cruzadas prejudicando um pouco a coluna, acabei de chegar do trabalho, faltei na faculdade. Minha mãe saiu não sei pra onde, eu faltei na faculdade não sei por que, meu irmão também não esta, eu estou tão longe... Ah! Estou cansado de escrever também, mas sinto a necessidade de registrar esse momento tão vazio. Pronto, eu acho que essa frase que eu estou escrevendo agora é o registro deste momento vazio...


Rocha Farias

10.5.09

FOTO: Christian Piana. (ENSAIO NÚCLO AUSÊNCIA EM CENA)

"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros"
CLARICE LISPECTOR.

7.5.09

Clarice: em cena. 15 de Maio.

Exercício cênico inspirado em textos de Clarice Lispector. A montagem transcria, a partir da prática teatral,contos e trechos de sua obra, explorando os vários temas e o universo subjetivo e intrigante de sua escritura.

duração: 60 minutos
indicação etária: 14 anos

Atores criadores: Ailyn Ramirez, Alessandra Marques, Ana Luíza Caetano, Cláudia Sarro, Diogo Cardoso, Kelly Guimarães, Kely Novello, Kéroly Gritti, Marina Cremonese, Nádia Jansen, Luana Tsutsumi, Raíça Augusto, RaquelZanelatto, Rocha Farias e Solange Rossignoli

direção Paula Carrara


CLARICE EM CENA.
Dia 15 de maio (sexta-feira), ás 19hapresentação gratuita na "Semana de Filosofia" da Universidade MetodistaRua Alfeu Tavares, 149 - ANEXO FI - Rudge Ramos - São Bernardo do Campo

6.5.09

O outro sou...


Encontro o prazer no outro
O talento
A dor física
A força


Encontro o incômodo no outro
A angústia
O desassossego
O sorriso escondido


Encontro-me
O outro sou
Sou o outro.
Rocha Farias.

5.5.09

Quem você pensa que é?

MOVA - SE

Quando pisar por aqui perca-se no tempo


A idéia do movimento contínuo


Tempo sem quebras


Movimento sem paradas


E sempre novos aresque levam seus grãos de areia.



CREDITO: BLOG ARES DE AREIA.

4.5.09

IN imaginário - Gaiola de Moscas.

A peça literalmente intrigante me despertou a curiosidade de conhecer a história contada por Mia Couto, Gaiola de moscas. A transposição do texto literário para o teatro é sempre muito diferente das “intenções’” do autor para com o leitor. (aconteceu com Clarice Lispector). Pesquisei na internet mas não encontrei o texto...quem tiver por favor!

As imagens quentes do espetáculo, os movimentos e as musicas me inspiraram para um mundo “IN imaginário” todos os momentos da peça me fizeram rir, mas existe uma tragédia oculta no contexto. A pobreza, a sobrevivência, tudo remetia um vilarejo “nordestino” onde existe miséria.

Na Linha do Tempo.

Descobri o meu pé, o meu próprio pé. Caminhei entre ossos e músculos. Descobri! Com os pés no chão, agora, caminhei no mundo. O chão é a principal fonte de energia, o chão é o começo de tudo, os pés são continuação. Plantar a alma e tirar os pés do chão, voar alto fixado ao chão. Cantar o (em nome?) nome, ritmado. Olhar o outro. Em roda a Dança dos Ventos; Em roda a confraternização; Em roda o jogo, a improvisação. Respirar é viver por isso é preciso respirar bem. Descobri a minha coluna no outro. A minha parceira, Raquel, é generosa, tolerante e sabe sintonizar as energias. Em pé, cresci. O exercício cansativo exige de mim concentração, ao comando do mestre eu tento alcançar o clímax. Permito que meu corpo e o meu espírito entrem em um buraco fundo, escuro e vazio, e ali, no grande vazio surge uma espécie de New soul, e eu sou eu de verdade. É muito difícil descobrir e muito fácil inventar, principalmente quando sou o dono das minhas emoções e escolho as minhas aventuras. Saudação ao Sol; Respirar o Mundo; Pegar o objeto, sentir, ser.

Sobre a aula de teatro.

Rocha Farias.

16.4.09

04 de abril de 2009.

Hoje trabalhamos a respiração, voz e a coluna.
  • A respiração;
  • A Voz;
  • A coluna.

"Respirar é viver, por isso é preciso saber respirar bem."

Descobri a minha coluna no outro, minha companheira de trabalho foi a Raquel, gosto muito de trabalhar com ela porque ela é generosa, tolerante e sabe sintonizar as energias no presente. Depois despertamos o corpo a partir do chão, em pé estimulamos os impulsos.

É muito difícil descobrir e muito fácil inventar, principalmente quando somos donos das nossas emoções e escolhemos as nossas aventuras.

28 de março de 2009. "O Chão".

"O chão é o começo de tudo, os pés são continuação"

Plantar a alma e tirar os pés do chão, caminhar nas alturas e voar fixado ao chão.

14.9.08

'não veja o mal', 'não ouça o mal', 'não fale o mal'.

Ouça alem dos ouvidos.
Ouça o bem!

Veja alem dos olhos.
Veja o Bem!

Fale a verdade útil.
Fale o bem!